quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

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Relato BR-135 2009 por Cleonir Simonetti

Por umas cinco vezes tentei iniciar este relato da BR 135, mas a emoção foi muito grande e acabei adiando por alguns dias até assimilar melhor os acontecimentos que ainda estão muito vivos em minha memória.

Quando chegamos em Poços de Caldas, afobados em razão do atraso não imaginávamos o que nos esperava, a dureza da prova começa no dia do congresso técnico na véspera da prova.
Almoçamos e confesso, comemos bem, a comida da pousada do SESC é muito boa.Terminamos de almoçar e logo descemos para a reunião do pré-race e a realidade que se apresenta é preocupante e ao mesmo tempo familiar, o percurso como é apresentado e as situações comentadas de edições anteriores é de arrepiar.

A noite anterior ao dia da prova não foi uma noite fácil de descansar, pois um baile na sede da pousada atrapalhou um pouco o descanso dos atletas, mas eu levei isso como um desafio a mais somado aos tantos outros que eu encontraria na prova.
Acordei uma hora antes pra fazer uma boa bandagem nos meus pés; que em provas de longa quilometragem sempre sofrem muito com as bolhas. Tomei aquele café junto com o pessoal da minha equipe de apoio, pão, biscoitos e suco pra não pesar no início da prova.
Um pouco antes da largada, liguei para casa pra dizer " ó, tá quase na hora da largada !!"..isso foi quando os carros estavam alinhados, para nos dirigirmos para o local da largada, que é na saída de Poços de Caldas.

Minha esposa tinha colocado vários bilhetinhos no meio de minhas roupas com versículos bíblicos, um destes bilhetinhos estava no bolso do calção que eu estava usando e não tinha percebido. Foi uma emoção muito forte e aí senti que com toda a corrente positiva que me cercava não ficaria pelo caminho de maneira alguma; eu não poderia desistir tão fácil da batalha.

Quando chegamos no local da largada, o coração já devia estar batendo a uns 100 batimentos por minuto, a adrenalina estava subindo para a cabeça..e a cada minuto que faltava para a largada a ansiedade aumentava.

Quando o Rodrigo Cerqueira entoou o Hino nacional foi muito emocionante, parece que nós como atletas do Brasil sentimos a responsabilidade de nomínimo ultrapassar os limites todos...só lutar não basta...é preciso ir além...!!
Todos nós nos amontoamos por várias vezes para tirarmos as fotos oficiais da largada e até que então a largada estava pra ser dada, momentos de concentração de cada atleta antecederam a largada...cumprimentos, desejos de boa sorte, abraços...enfim...todos no intuito único que é fazer uma boa prova e chegar bem...!!

Pronto...a largada foi dada e comecei a desbravar a tão sonhada BR 135, e estava sendo tudo de bom, o inicio da prova é entre uma floresta de eucaliptos com muitas curvas subindo e descendo pequenas curvas acentuadas, até sair em uma pastagem de uma fazenda, onde o percurso é uma pequena trilha que vai até uma porteira...de onde se vai por pequenas estradas que percorrem os cafezais da região; que se estendem por vários quilometros.

Nesta parte eu andei por um bom tempo com meu amigo, Gerson Sávio de Juiz de Fora, e também com o Jaime Rocha, gaúcho de Caxias do Sul que vive em São Paulo a um bom tempo, seguíamos pelo percurso conversando até que chegamos ao primeiro ponto onde encontramos os carros de apoio; e foi nesse momento que deixei minha camiseta que estava usando como bândana e pude pegar meu boné, visto que o sol estava castigando neste momento.

Depois deste momento houve uma dispersão do grupo que eu vinha correndo e entrei na próxima estrada sem a companhia de outro atleta, até se aproximar meu querido amigo Éber e o Rafael Bonatto de Curitiba, e assim fomos juntos por uma boa parte do percurso até eles se distanciarem de mim e seguir na frente. Isso aconteceu um pouco antes de Águas da Prata, onde a equipe de apoio estava com o carro estacionado com a bandeira de Farroupilha sobre o capô...muito alegres...e felizes com a prova que eu estava fazendo...peguei algumas barrinhas de cereal, tomei suco, uma cápsulade sal e abasteci minha mochila de hidratação com um pouco a mais de água porque na saída de Águas da Prata tinha um atoleiro e o carro precisava desviar o percurso pra poder passar.

Segui adiante deixando a cidade para trás e adentrando aquela estrada enlameada e lisa feito um sabão, até chegar a uma reta que alternava poças de água e partes que tinha pó...aliás o percurso possibilita todo tipo de terreno, estradão, estradinha, trilha, pedregulho, lama, gramado, enfim, é uma mescla que exige muita concentração do atleta.

Percebi que um atleta se aproximava em minha perseguição mas ao longe não dava pra identificar,até que naquele ritmo que ele vinha correndo, conseguiu me alcançar facilmente porque eu estava caminhando num ritmo forte até pra que ele me alcançasse mesmo, encarar as subidas e descidas nesta prova são mais fáceis de superar tendo uma companhia pra conversar. Quando eu vejo quem estava me alcançando eu percebi o quão bem eu estava na prova, era nada mais nada menos; que o conhecido mundialmente e querido amigo; Manoel Mendes, que me acompanharia por muitos quilometros, subindo o Pico do Gavião, e seguindo pela longa estrada até a cidade de Andradas, em meio aos grandes vales, em meio a grandes montanhas e morros que formam o relevo da região.

Nesta parte da prova, conversamos muito e foi muito bom, já estávamos perto de Andradas e então pude acompanhar de perto o drama do Manoel com as dores nas costas,que a cada quilometro aumentava ainda mais...a ponto de provocar calafrios e tremores de frio nele...fiquei preocupado, em alguns momentos pensei que ele não chegaria a Andradas..foi quando tirei o bilhetinho do bolso e li para ele, num momento de muita emoção...seguimos com os olhos cheios d`água por um bom tempo...no bilhete estava o versículo de Isaías que diz: " Mas os que esperam no Senhor, renovarão suas forças; subirão com asas feito águias; correrão,e não se cansarão; andarão e não se fatigarão."

Foi um momento de superação onde conseguimos chegar em Andradas...e ele ficou recebendo atendimento e fez uma massagem nas costas...e eu consegui abastecer minha mochila, comi ...e segui adiante junto com o Alisson Tracs também de Curitiba, mas logo em seguida ainda na cidade ele não se sentiu bem e teve que receber atendimento médico, sendo desclassificado da prova...eu o veria novamente na última parte da prova depois da saída de Estiva...momento muito importante que a força que ele me passou foi muito importante pra que eu continuasse na prova...!!

Então eu tinha um desafio muito interessante, solitário chegar até o check point de Serra dos Limas, antes do escurecer que era o meu planejamento...ilusão tola...andei muito nesta parte do percurso...eu corri direto até iniciar a subida que tinha um atoleiro enorme bem no topo da encosta onde vários carros não passaram inclusive o de minha equipe...a estrada estava mesmo complicada nesta parte.

Andei muito até que cheguei na vila bem no alto da montanha, fiquei feliz que tinha conseguido chegar mas não imaginava que o check point era mais a frente; caminhei enquanto começava a cair os primeiros pingos da garoa que nos acompanharia por uma boa parte do percurso durante a madrugada...0 check point não surgia...e isso começava a me preocupar, até que numa descida íngrime encontrei o ponto de apoio,mas nada de minha equipe de apoio...deviam estar procurando o caminho e estavam mesmo...!!

Cheguei e já fui para a coleta de sangue para a pesquisa científica da Dra. Taíssa Belli e seu grupo e em seguida comi aquele macarrão gostoso rapidamente, para aproveitar e seguir durante a noite na companhia do Reinaldo Tubarão, que seria um companheiro de muita fibra durante a noite toda.

Saímos do ponto de apoio com a vontade em alta...cheios de energia para seguir num ritmo forte...começamos a correr até que saímos em uma encruzilhada e ambos encontramos nossos carros de apoio que estavam parados na escuridão procurando o caminho certo...conversamos rapidamente e seguimos correndo, morro abaixo..até que tivemos que parar e o Reinaldo retornou uns 100 metros; para avisar a rapaziada que o carro não passaria naquela parte; por causa de uma grande valeta que abriu no meio da estrada pelas chuvas ...e como o chão estava molhado o carro provavelmente não conseguiria retornar pela subida novamente.

De volta ao caminho, fomos superando trilhas e encostas estreitas, passando por pequenas vilas até chegar a um rio que tivemos que atravessar pulando sobre as pedras...adrenalina pura...o ritmo estava bom...caminhavámos somente quando não podíamos correr...e foi assim que apertamos o passo até alcançar o Éber,que fazia uma prova cadenciada...caminhando consciente, enquanto eu e o Reinaldo tentávamos apertar o passo e se distanciar do Éber...mas era em vão...o ritmo nosso se equivalia com a caminhada forte do Éber a cada instante...até que seguimos em frente os três juntos...até chegarmos a cidade de Barra, em em seguida, Crisólia; onde encontramos o pessoal da equipe de apoio do Gerson que estava por ali cuidando do Gerson, que descansava naquele lugar...quando chegamos o Gerson saiu e foi adiante, nesta cidade abasteci a mochila novamente, pois minha equipe estava ali pronta pra me ajudar...!!Depois de alguns minutos de descanso, seguimos em frente com destino a cidade de Ouro Fino, novamente eu e o Reinaldo nos distanciamos um pouco do Éber, mas foi por pouco tempo, pois logo ele nos alcançaria novamente; um pouco antes da entrada da cidade , em frente ao Menino da Porteira.

Um pouco antes da cidade, um fato muito engraçado, um casal namorava num carro durante a madrugada, quando surgimos na estrada, o rapaz se apavorou pensando que ía ser assaltado que ligou o carro e arrancou em alta velocidade rumo a entrada da cidade..rimos muito com o episódio.

O percurso de Ouro Fino a Inconfidentes, seria superado ao natural, visto que seguíamos em 3 atletas, iluminando melhor o caminho e continuando sem parar... Quando chegamos em Inconfidentes, seguimos pela longa rua que leva ao Posto de Combustíveis onde era o checkpoint...na entrada da cidade passamos pelo Gerson Sávio que fazia uma massagem na entrada da cidade como pessoal de sua equipe de apoio. Paramos no check point e fizemos aquela massagem muito boa, nos alimentamos com batatas cozidas, que estavam uma delícia, abasteci minha mochila, troquei a camiseta que estava um pouco molhada, e coloquei uma camisa térmica manga longa, para continuar durante o restante da madrugada.

Antes de sairdo check point de Inconfidentes fomos novamente ultrapassados pelo Gerson que continuava firme na prova, só então na minha chegada, em Paraisópolis fiquei sabendo que ele não tinha marcado seu tempo em Inconfidentes e teria uma punição de 1 hora em seu tempo por isso...!! Enquanto isso, eu, Reinaldo e Éber continuamos caminhando até a entrada da estrada que seguia para Borda da Mata...esta parte da prova seria responsável pela separação do trio que até então já tinha andado junto mais de 8 horas, o caminho de Inconfidentes a Borda da mata se mostrou muito cansativo, em razão do sono ter afetado o rendimento nosso; quando começou a amanhecer começamos a ter facilidade maior de se movimentar com maior tranquilidade, e o dia iniciava com o sol aparecendo primeiramente em nossa vista, no topo das montanhas; um visual lindo. Nosso trio foi se disperçando, Éber apressou o passo no intuito de ir a frente e dormir um pouco até eu alcançá-lo de novo, e Reinaldo sentia o desgaste da prova e aliviava o passo, também com desconforto estomacal em função do macarrão que não tinha caído bem para ele...durante a noite toda fomos testemunhas da batalha dele para com as indisposições.

Logo alcancei o Éber novamente, ele tinha deitado um pouco ao lado de uma capela no alto de uma colina, onde estavam estacionados meu carro de apoio e a galera do apoio que esperava o Reinaldo. Eu e o Éber seguimos caminhando e superávamos as longas subidas e descidas que levavam a cidade de Borda da Mata, onde minha equipe tomaria o café da manhã...enquanto eu e o Éber saíamos do perímetro de Borda da Mata com destino a Tocos do Mogi... nesta parte do percurso comecei a sentir muita dor na parte inferior do meu pé direito, e o Éber seguiu em frente solitário em busca de um grande resultado.

Em Borda da Mata passamos novamente pela equipe do Gerson que zelava pela sua estaca que sinalizava sua parada para atendimento ou descanso. Depois da saída da cidade eu tive que parar no início de uma descida para furar algumas bolhas do meu pé direito e entãoconsegui perceber o tamanho da bolha que tinha se formado na sola do pé, tinha em torno de 2 centímetros de diâmetro e viria a aumentar na sequência da prova, o que me debilitaria bastante no final da prova; quando segui pela longa planície que levava a primeira longa subida do caminho de Borda da Mata para Tocos do Mogi...senti muita dificuldade, pois se aproximava o meio-dia e o calor estava muito forte, a ponto de eu chegar na Capela de Santa Ana onde tinha uma fonte de água para me refrescar com água da fonte e abastecer minha mochila.

Foi crucial este alívio da temperatura do corpo, mas mesmo assim não consegui me livrar das alucinações que vinha sentindo de forma intensa durante aquela parte da prova,eu via os globos de luz das lanternas de cabeça que clareavam o caminho durante a noite, piscava constantemente masaquelas luzes não me abandonavam..e foi assim até Tocos do Moji e até a chegada...!!

Em Tocos do Moji encontrei novamente o pessoal do Gérson e minha equipe novamente, que ali descansava em uma pequena e bonita praça, que servia de um belo cenário para nosso carro, com a bandeira de Farroupilha que cobria o carro naquele momento; cheguei para trocar a bandagem do pé, lavar um pouco os pés para fazer alguns curativos, visto que naquela parte do percurso o pó era companheiro fiel de estrada, muito pó, clima seco e quente com temperatura alta e põe alta nisso;com certeza estava acima dos 30 graus. Sinalizamos a parada naquele local onde eu ficaria deitado por alguns minutos,onde não passaram de 10 minutos, neste período conversei com o pessoal da equipe do Gerson que o esperava com a comida pronta, até me ofereceram comida também, mas naquele momento não era necessário, já tinha comido algumas coisas que tínhamos no carro e deixaria a comida para a cidade de Estiva onde era o último check point da prova.

Foi nesta praça que encontrei com o Dr. Mário Lacerda, que depois da entrada do Pico do Gavião quando eu estava correndo com o Manoel , não tinha mais visto na prova; ele estava muito feliz de ter me encontrado ali somente se queixando da bolha no pé; as palavras dele me animaram muito, meu psicológico estava muito afetado naquela parte da prova.

Eu precisava seguir, visto que o Gérson se aproximava e estava bem...e assim a íngreme e longa subida da saída de Tocos do Mogi,foi ficando para trás, a caminhada forte que imprimi foi boa, porém a perseguição que o Gerson protagonizava era determinada, seria questão de tempo ele me alcançar, ficou mais forte quando sua equipe de apoio avançava e me passava,isso era sinal de que ele estava cada vez mais próximo, mas esta perseguição sempre foi leal, sua equipe me ajudava também,prontamente me auxiliavam; mas depois de uma vila eu encontrei uma parte do percurso onde tentei dificultar as coisas para o Gérson, eu precisava testar o psicológico do Gérson e aquela montanha imponente que depois proporcionaria o visual da cidade de Estiva era o local mais apropriado pra isso, eu andei muito forte durante a subida e então consegui me distanciar deles, apertei o passo na descida e segui adiante até o ckeck point de Estiva onde recebi uma massagem rápida,muito relaxante,e também fui muito bem recepcionado pela Mônica e todo o pessoal que estava ali pra auxiliar.

Pra minha surpresa, quem chegou logo atrás de mim...foi meu querido amigo Mauro...que tinha passado pelo Gérson, ele só marcou seu tempo, pegou água e seguiu adiante, em seguida chegou o Gérson que fez a mesma coisa e seguiu.
Eu tomaria a melhor sopa fria que tomei na vida...aquilo foi restaurador...claro que depois de um banho ...quando eu saí novamentepara finalizar a longa jornada, eu tentei seguir o Gérson e logo alcancei o José Servello e mais um colega que não lembro o nome neste momento...eu seguia num ritmo confortável pelo percurso ao longo que as subidas novamente iniciavam e minhas preocupações novamente apareciam, o sol já estava se pondo quando o Alisson passou com seu carro por mim, numa longa e íngrime subida, me ofereceu ajuda, me incentivou, o pessoal me deu muita força naqueles momentos, eu estava com muitas tonturas e estavam cada vez mais fortes, eu precisava contornar este obstáculo e consegui de certa forma até de forma razoável, comi um pedaço grande de chocolate, tomei coca-cola e logo em seguida quando encontrei novamente o carro de apoio,troquei a roupa, coloquei minha calça e novamente a camisa manga longa, pra aquecer o corpo e aumentar a temperatura do corpo na intenção de controlar um pouco este mal estar. Deu certo, eu consegui continuar e já noite consegui passar pela cidade de Consolação; as dores no pé direito estavam fortes, mesmo com o spray e gelo na altura do tornozelo direito,as dores não me deixavam, e ficaria mais difícil minha prova quando saí de Consolação e segui pelo asfalto; não encontrava a sinalização do Caminho da fé e depois de andar por mais de 15 minutos sem encontrar as marcas retornei durante o mesmo tempo até que encontrei uma seta, que indicava que eu estava indo pelo caminho certo antes de retornar...voltei novamente e os 20 km que faltavam para chegar em Paraisópolis, para mim tinha se tornado 24 Km...quase entrei em parafuso naquele momento, pensando no pior e que o pessoal de minha equipe não encontraria o caminho.

Até que então, encontrei uma família que estava trocando um pneu do carro no acostamento da estrada, perguntei, pedi ajuda e e eles prontamente me informaram que tinha vários carros um pouco mais pra frente, em uma entrada. Foi um alívio..segui a frente e esta parte da prova prometia ser muito difícil, e não foi diferente, minha melhor alegria foi ter encontrado o garoto Mário Cassal, garoto que emocionou a todos, no pré race quando contou que seu sonho é ser ultramaratonista...Adentrei a estrada, no ímpeto de concluir a prova...ou termino com ela ou ela me termina ...eu pensava...e seguia adiante tropeçando e gemendo de dor cada vez que pisava numa imperfeição do solo...até que minha equipe me alcançou e consegui pegar algumas coisas para comer...peguei mais uma lanterna mais potente pra auxiliar nesta parte que estava bem mais complicada que as outras...na ansiedade de fazer rápido, esqueci minha mochila de hidratação no carro de apoio...caramba...que mancada...consegui então alcançar o Gary Johnson...que seguia muito debilitado naquela parte da prova...o garoto que seguia com ele, o pacer Gustavo Aires, me contou que Gary não tinha conseguido comer nada e a muito tempo seu organismo, não aceitava nada sólido, estava andando na reserva a muito tempo...e foi assim que seguimos...com toda dificuldade possível, tropeçando...gritando de dor...resmungando...enfim...só Deus sabe o que passamos naquela parte da prova...Paraisópolis dando seu visual e a entrada da cidade não chegava nunca...dá pra ouvir no alto da montanha o som que vem lá da praça da cidade...mas o percurso não chega ao fim...até que depois de uma longa curva em torno de uma colina,chegamos a uma descida que segue para a rua principal que leva a praça da cidade...seguimos trocando elogios e parabénsaté perto da chegada...quando a emoção tomou conta e passamos a linha de chegada abraçados...foi o momento esportivo mais feliz de minha vida...eu tinha conseguido um feito marcante...tinha superado as 135 milhas, os 217 km da Serrada Mantiqueira tinham sido vencidos...o tempo foi muito bom na minha avaliação...40 horas com 56 minutos...para umaestréia na prova...um tempo excelente...e ainda mais..levaria uma medalha dourada linda pra casa...pois tinha passado abaixo das 42 horas...!!!! Interrompi o relato aqui...porque não consegui mais escrever...!!

Agradeço a todos que presenciaram meus momentos na prova e de alguma forma me ajudaram, mesmo que da formamais humilde possível, quero dizer que foi essencial pra que eu concluisse a prova com êxito...!!Aos adversários...que mais são irmãos que adversários pra mim...pela honestidade e lealdade para com que guiaramsuas atitudes...abraço especial para o Gérson que eu conheço tão bem...e foi um exemplo de caráter e fair play, terlevado o receituário do hospital de Borda da mata onde fez soro...não sabia que seria desclassificado..mas terminou a prova,e assumiu sua responsabilidade como eu sempre soube que faria. Jamais terei dúvida de você ...meu querido irmão. Abraço a minha equipe de apoio, vocês foram fantásticos...se doaram intensamente pra que eu chegasse inteiro...e chegueimuito bem graças a dedicação total dessa equipe show...Parabéns...a direção de prova e toda a equipe que trabalhou incansável para que a prova fosse um sucesso.Nos vemos em 2010...estarei novamente lá..pra viver tudo isso novamente...para honra e glória do nosso

Senhor !!!!Que a graça e a paz do Senhor estejam com todos..iluminando o caminho de todos nós...!!! Amén.
Ultra CJ

2 comentários:

Marcelo disse...

parabens por ter completado essa dificícima prova...sua garra é exemplo para todos nós...

Rosimari disse...

Meu amigo, meu brother
em Cristo, ao ler o seu depoimento confesso que a emoçao tomou conta,as palavras que deixo a voce é aquela que falei no bate papo: Deus prova e aprova, e qdo ELE aprova ninguem o detem...( Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. 2 Timóteo 4:7 ) Saiba Deus tem o melhor para vc!!
Parabens !!