sábado, 5 de fevereiro de 2011

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Relato da Brazil135 - 2011 - Uma ameaça silenciosa

O caminho de Andradas até Serra dos Limas, na minha opinião é a parte do percurso, mais gostosa de correr em toda a BR, em condições normais o ultra chega neste trecho, próximo do final da tarde, onde a temperatura é amena e a beleza da paisagem das propriedades rurais, torna muito agradável a superação deste trecho. Fiz a lição de casa, chegar em Serra dos Limas ainda durante o dia, correndo em ritmo regular, sem dores, um pouco cansado; mas isso é natural depois do sol escaldante que ficamos expostos durante o dia. No checkpoint de Serra dos Limas, minha urina estava clara, sem problemas, porém o susto maior foi quando eu subi na balança e foi constatado uma perda de aproximadamente 4kg. A perda do peso me assustou um pouco, não percebi e não senti esta perda, estava realizando a alimentação e a hidratação de forma regular e controlada, o desgaste estava sendo maior que a reposição que eu fornecia para o organismo. Sendo prudente com a situação, comi uma boa quantia de macarrão, tomei um refrigerante e descansei por 20 minutos. Como estava com a roupa toda suada e logo cairia a noite, troquei a roupa, vesti uma calça e outra camiseta e segui adiante, acompanhado do amigo José Alcântara.


Saímos de Serra dos Limas ainda com luminosidade natural, mas já equipados com lanternas de cabeça e vestindo o colete de sinalização, com destino ao povoado de Barra onde encontraríamos meu querido amigo Fabrício, do staff da BR. Neste trecho seguimos caminhando, porque esta parte da prova é bastante acidentada e com subidas e descidas íngremes; o que exige muita força muscular de coxas e panturilhas. Durante este trecho, comecei a sentir um desconforto em relação a urina, comecei a sentir vontade de urinar a cada pouco e não tinha urina. Esta constatação começou a me preocupar, logo depois do povoado de Barra, fizemos uma pequena parada logo depois de um riacho e minha situação começou a se complicar quando a musculatura da frontal da canela fechou, se contraindo de forma muito estranha, algo que nunca tinha acontecido comigo, e surgindo uma dor nas costas, na altura dos rins. Neste trecho fomos alcançados pelo amigo Mauro Chasilew. Quando nos aproximamos de Crisólia, fomos alcançados pelo atleta Daniel Mayer e também por Ray Sanchés que passaram em um ritmo bem interessante.

Quando cheguei em Crisólia, reavaliei minha situação física, e por motivo de segurança, optei por abandonar a prova em definitivo; poderia anotar meu tempo em Crisólia, aguardar uma possível melhora e depois seguir na competição, mas seria uma tentativa complicada. Aproveitando o carro do meu querido amigo José Alcântara, comuniquei o staff em Crisólia, ponto que era controlado pela Rita, que me orientou a comunicar o staff em Inconfidentes também, visto que estavam sem comunicação de celular naquele momento.

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