domingo, 6 de fevereiro de 2011

Avatar

Relato da Brazil135 - 2011 - Uma decisão lúcida e correta

O fato de desistir em meio a uma prova de ultra era algo que eu imaginava ser um momento muito difícil para mim, sempre fui um atleta muito competitivo, lúcido mas tomado de um brio que as vezes me leva pra grandes resultados e as vezes me deixam em batalhas penosas ao extremo; que exigem mais que técnica e ritmo, fazendo com que eu tenha que buscar forças não sei de onde pra seguir na prova. Sempre me considerei um ultra atleta comum, sempre larguei em todas as provas, meio que de sangue doce, mas sou um cara de chegada, minha regularidade me propicia em certas provas brigar por uma colocação boa, foi assim em 2009 na BR, onde saí com um 16º lugar e em 2010 com um 14º lugar marcando 37 horas e 56 minutos. Agora, consigo ter a visualização do que representa cruzar a linha de chegada da BR, caiu a ficha neste ano somente...a opção de parar foi muito natural, até fiquei surpreso comigo mesmo.

Estou conseguindo conviver com este fato de forma muito tranquila, esta decisão tem um peso muito importante, ter o respeito dos colegas de ultra, pela maturidade com que tomei esta decisão, por não causar um problema maior ficando pelo caminho e transferindo a responsabilidade de uma situação clínica mais grave para a organização de prova e também pela certeza que minha esposa e filhos têm em saber que eu jamais colocaria em risco minha integridade física, estando em competição e em prolongado tempo sem comunicação com as pessoas que amo tanto. Tudo isso, dá a credencial de que meus amigos que acompanham meu treinamento e este que vos escreve, estamos trabalhando no caminho certo, praticando um esporte de alto risco, de forma prudente e segura.

Cada atleta necessita pesar bem os fatores que o levam adiante, é preciso saber a hora de parar, graças a Deus, sempre tive a consciência de que limites foram criados para ser superados, e quando o limite é superado, cada faixa acima do limite, toma proporções delicadas, quando o limite se torna loucura, as chances de uma glória se transformar em tragédia são maiores; cabe a cada ultra decidir onde se quer chegar e como se quer sair de uma prova, feliz da vida ou de ambulância. Sinceramente, eu prefiro sair feliz da vida, mesmo que isso represente ficar distante da medalha.

1 comentários:

MJAN disse...

Sábia decisão, nobre amigo!